O VIAJANTE SEGUE RUMO A UM OUTRO PLANETA...

Ele não olha nos seus olhos, ele não o fará tão cedo, é cego e rejeitado por sua própria vontade... assim assumindo... sabe que demora para ter confiança nas pessoas, demora para que as olhe nos olhos, para que as veja como iguais, tudo a sua volta parece tão mágico quanto ele não pode ser, tudo em sua vida parece tão vazio, o mesmo vazio que sempre tentou correr, por isso atravessa a rua ao ver acontecer, a distancia parece ser o melhor remédio para não se envolver, o medo faz com que se torne fraco, fraco e omisso as suas vontades, correndo contra um tempo que quis não ter... tudo poderia ser revisto, tudo poderia ser evitado, tudo poderia ser filmado em um outro ângulo, mostrando uma outra visão sobre o mesmo acontecimento, mas ele prefere baixar a cabeça e aceitar... aceitar que outros destruam a vida por ele, que moldem o destino, que morram por ele... prefere acreditar em crenças feitas que criar sua própria crença... os limites impostos parece tão mais óbvios que os próprios limites... e busca a cura onde não há cura, e busca o fim onde é o inicio... parece não ver... sempre tenta manter o que está extinto, sempre tenta crer no que não existe... a historia se repete, torna-se perpétua... encontra barreiras, desfaz-se nelas... busca saída, venera medidas que nem sempre lhe convém... está alienado e parado em um tempo que não é mais seu... esquecido em prantos, lamentos, vida falsa, falsos argumentos... deixa o tempo acabar, deixa o relógio mostrar as horas que nem sempre existem, o calor consome seu corpo... destrói sua mente... carrega ao fundo seu olhar, enterra em desgraça o seu pesar... não quer ser mais um... mas não que se sinta assim, sente-se inferior a isso... todos os iguais parecem estar melhor... condicionados e conformados com a situação... situação que ele não sabe argumentar contra, não saber dizer nada a favor.... mas que não se conforma, pelo simples fato de não se conformar... não toma posições, afinal, quem iria crer em tão patética figura? E seu mundo segue... adianto um fim inevitável... mas que seria exatamente igual se fosse agora, uma semana depois ou cinco minutos passado... nada de novo acontece... não busca o novo... não aceita o novo, luta contra ele como se luta contra uma doença... mas também não aceita o que acontece agora... converte-se em mil pensamentos que nada dizem... corta aquilo que chama de braço, aquilo que não o sustenta mais... finge estar enganado, procura fugas, esconde seus medos no seu travesseiro... esvaziara sua mala tantas vezes, e agora ela está cheia novamente... as fotos, lembranças dos lugares em que passou, os filmes que se criaram em seu subconsciente... a nova e velha maneira de se matar... viver! Viver sem ter um dia que realmente valera todo por completo... o refugio de seus sonhos, um dia perfeito, a fantasia que inexiste... o seu mais belo medo... tudo isso se reflete em cargas que ocupam um lugar incomensurável em sua mala... o viajante segue só... distanciando-se dos portos que se mostravam seguros... ele não vai olhar nos olhos... ele não vai... segue rumo ao nada... e é por esse e outros motivos que esse mundo acaba aqui... e sim... talvez existam outros, mas esses não farão parte dessa história... encerra-se aqui portanto o volume dois dessa obra onde se guardam as lembranças de algo que agora parece um tanto insignificante... pensando no que poderiam ter significado... mas que foram realmente significantes em seus momentos presentes... momentos que agora são passado... passado que nunca poderá ser esquecido... não há espaço para mais nenhuma pagina nesse volume... aqui acaba esse mundo, exatamente aqui... no limite do que posso ou não sentir.. do ter ou não coragem de arriscar... até mais!
POSTADO POR Thiago A. às 01h19
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